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Catarina Gushiken

About

Memórias Afetivas

 

Meu trabalho se manifesta através das curvas, ritmos e formas que  movimentam a energia feminina. Assim, a mulher se torna diálogo, meio e símbolo.

Através das figuras de beleza, chamadas no Ukiyo-e de Bijingas, que me conecto com as minhas memórias de infância, e as referências dos meus avós japoneses.

Construí um Japão mítico à partir do que observava no convívio com meus avós, mexendo em suas fotografias, cartas, postais, documentos, e vestindo as roupas de minha avó enquanto ela se maquiava para suas apresentações de dança na Associação Okinawa. Eles eram muito ligados as artes; meu avô fotografava, e minha avó havia sido criada na colônia de Manabu Mabe. Desta forma, nunca impuseram nada para filhos e netos sobre um modo de agir que seguisse as tradições japonesas.

Assim, criei uma mitologia pessoal e meus próprios rituais para me conectar com a ancestralidade. Comecei a desenhar nas paredes da casa de meus avós quando tinha três anos, e depois fui explorando o desenho em diversas superfícies e materiais.

Após a morte de meus avós, senti necessidade de buscar significado para tudo que imaginava. Comecei a estudar pintura (sumiê), gravura (mokuhanga) e caligrafia (shodô) tradicional japonesa, e também iniciei a tradução dos diários deixados pelo meu avô que datam desde 1936.

Gosto de observar e interpretar os objetos familiares que guardo comigo. Nos meus trabalhos sobreponho colagens, costura, estampas, resinas, em desenhos e pinturas que surgem à partir de minhas lembranças, fotografias e imaginação.